A Espanha de Barcelona


Bien venido a bordo del tren AVE 3462 con destino a Atocha – Madri. Assim anunciou o serviço de bordo e partimos, exatamente na hora marcada, 6h40 da manhã. Um minuto apos o início da viagem, uma “trilho-moça” chegou oferecendo auriculares, nosso bom e velho fone-de-ouvidos. Os termômetros marcavam 14 graus.

Saí de casa, que fica a um quarteirão da estação de metrô Lesseps – linha verde, exatamente 6h10 da manhã. Meu destino era na Estação Sants onde embarcaria no trem bala. Desci as escadas e o metrô abriu as portas para mim 6h16. Fiquei preocupado com o horário. Pouco mais de 15 minutos depois, desembarcava na estação que me daria acesso ao trem-bala.

El lince Perdido, o filme escolhido pela tripulação, já estava na tela de LCD às 6h55 da manhã. Nossa próxima parada, em Zaragoza, aconteceu 8h05. Antes, um sanduíche de tomates no Punto y coma, no vagão 4 do luxuoso trem.

Aqui na Espanha tudo impressiona. A eficiência do metrô, a beleza da arquitetura, a limpeza da cidade e a vida cotidiana. Tudo isso completa a sensação de tranqüilidade e alegria deste povo.

Há turistas e gente de toda parte de mundo. São burcas, roupas extravagantes, piercings e tatuagens para todo lado. A maneira veloz como conversam, tendas de flores, frutas e jornais, completam a química catalã.

Esta cidade, que mais parece um museu a céu aberto, reserva um encanto em cada esquina. Andando de bicicleta, sem destino certo, encontro igrejas, prédios e museus por todo lado. Artistas de rua, estátuas vivas, cantadores e instrumentistas da melhor qualidade estão por todo lado, na busca pelas valiosas moedas da população de turistas.

Franceses, ingleses e gente no norte europeu. Um povo, de tão branco e de olho tão azul, que chega a impressionar. São mães carregando seus filhos em carrinhos modernos ou colados ao corpo. São famílias mais numerosas que as nossas.

Aqui nas praças – que não são poucas –, famílias inteiras se divertem em centenas de parquinhos bem cuidados. Mães zelosas, pais corujas e seus filhos lindíssimos. É comum ver trocas de carinho entre casais e seus filhos. Patinetes, skates, bicicletas e muitos cachorros, contribuem para o sorrido largo das crianças daqui.

No Parque Ciudadela, minha nova amiga Ana Vilar faz ioga, tocadores de violão e namorados se esparramam por gramas e jardins bem cuidados. Na primavera que se aporta, flores, muitas flores para a alegria de fotógrafos amadores ou não.

Aqui se come bem. Presuntos variados, croissants, queijos, peixes dos mais diversos tipos, comida internacional de qualquer parte – até do Vietnam se encontra aqui. As frutas, morangos enormes, melão e laranjas de cores intensas têm sabor inexplicável. Isso, para não falar das sem-número de cafeteria deliciosas. Impossível não parar em um desses e curtir um café “con leche”.

Jornais impressos 
Quem foi que disse que o jornal impresso vai acabar? As bancas daqui, verdadeira babel literária, estão abarrotadas de publicações, e mais, todo mundo lê os jornais. No metrô há, em cada vagão, pelo menos uma dúzia de leitores aficionados. E tem para todo gosto. Os jornais de outros países também tem força aqui. Agora, a febre mesmo é por um tal argentino chamado Messi, atacante do Barcelona. Desde quando cheguei, no início de abril, o time de Camp Nou não para de fazer gols. O artilheiro argentino está em todos os jornais e todos os dias, mesmo naqueles que seu time não está em campo. Os catalães querem saber tudo sobre a vida desse jovem de 22 anos, que joga bola com a fome de criança.

O povo de Barcelona 

As roupas de frio, indispensáveis mesmo com o fim do inverno, fazem dos espanhóis um povo muito elegante. Botas, cachecóis, sobretudos e passos rápidos, completam o figurino.

Um grande centro de conhecimento e ciência 


Quando andamos pela cidade, principalmente pelas áreas universitárias, podemos ter a real dimensão da preocupação do governo com a educação e o conhecimento. Visitei a Universitat de Barcelona, uma das maiores da cidade. O que se vê lá são corredores intermináveis e salas de aulas lotadas de gente. A biblioteca, que mais parece um boticário, guarda milhares de livros à vários séculos. Escolas de gastronomia, cinema, teatro, design de moda e gráfico estão por toda parte.  A Universidade onde estudo, Uvic, é uma escola um pouco distante da cidade, numa região onde o idioma catalão é obrigatório. A língua é um fator complicador para um estrangeiro como eu.

Barcelona não mais sairá da cabeça nem os cheiros que descobri aqui. Neste lugar encantador, um mundo feito de receitas e segredos, dos bons! Cidade que se descortina frente ao meu olhar de menino bobo, que acabou de nascer.

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