A primavera mora aqui


Tive aula bem cedo no sábado. Terminei a tutoria do mestrado. Peguei a bicicleta, fui até Grácia para olhar as ruas, pessoas e o comércio do dia de sol. Óculos escuros, bermuda colorida e camisa amarela. Faltavam cinco minutos para a seis da tarde. Andar sem rumo foi um hábito que aprendi aqui.

Lá em Grácia, existem praças repletas de crianças e um comércio que atrai turistas. Também pudera, é tudo muito perfeito. Casas de pães, doces dos mais variados, livrarias que mais se parecem com museus, salas de cinema com filmes de todo lugar. Passava pela Carre di Verdi e vi uma loja onde tocava Jack Jonhson bem alto. Eram roupas femininas bailando nas araras, nada lá passava dos 15 ou 20 euros.

Filhos no colo dos pais a pedir carinho. Amores explícitos em praças repletas de primavera. O sol já começa a se esconder por detrás de prédios baixos com suas sacadas rigidamente alinhadas. O serviço de limpeza da cidade inicia seu trabalho de lavar as ruas e recolher o lixo. Barcelona precisa se vestir para a manhã que promete sol forte.
Dia inesquecível

Acordei cedo num domingo cinematográfico. Em 10 minutos já estava com a mochila nas costas e duas baterias da máquina de fotografar. O destino era o Parque Ciutadella. Com uma bicicleta e roupas leves cheguei lá na hora exata.

Horário perfeito para encontrar um parque repleto de gente, de uma vida pulsante e multicolorida. Pães, doces, ternura e música por toda parte. Céu azul repleto de sorrisos. Aqui, isso se chama domingo.
Caminhando pelas largas e bem cuidadas trilhas, gente deitada na grama verde vivendo o típico dia no parque. Onde estavam as lan houses? Onde estão os celulares tocando sem parar e os e-mails a conferir? Onde estão o futuro da comunicação e os aparatos tecnológicos de último tipo? Com certeza, lá não chegaram. Era um mundo off-line aquele espaço ali.

O parque é o lugar para olhares macios, pés descalços, pernas cruzadas e sorrisos. Um ambiente mágico e propício ao toque, não de teclas, mas de mãos. Não haviam telas para olhar e sim pessoas. Não existiam elevadores ou escadas-rolantes, mas patins, bicicletas e patinetes para se locomover.

No Ciutadella não entram carros luxuosos. Não desfilam corpos sarados. Os ricos e pobres se divertem num ambiente lúdico e se misturam sem perceber. O Google não traduz aquilo ali com seus mapas e fotos. Escondidos em árvores altas, pássaros. Sentados nos bancos, idosos. Parece que o mundo começa ali.
Lá pelas quatro da tarde resolvi comer alguma coisa. Acontecia a Feira da Terra e as barracas, em sua grande maioria, vendiam produtos orgânicos, naturais, livres de agrotóxicos ou artesanais. Uma algazarra divertida de cheiros e sabores invadiu o lugar. Andava de um lado para o outro tentando entender aquela movimentação civilizada de gente, todos buscando sua comida e um lugar na grama para se sentar.

Crianças lindas pediam colo já sinalizando a preguiça gostosa da sesta. No braços de pais zelosos e corujas, o sono os transportava entre paraísos. A feria e o parque começam a diminuir seu ritmo, o cansaço do dia bem vivido começa a chegar, já são quase 8 horas da noite.

Um comentário sobre “A primavera mora aqui

Comente

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s