Ipad não é a solução


Com a chegada do Ipad, parece que as empresas de jornalismo acordaram, finalmente, para o novo jornalismo. Em cena desde meados dos anos 90, o jornalismo on-line demorou muito para amadurecer no Brasil.

Agora não dá mais para fingir que nada está acontecendo. Febre por onde passa, o Ipad promete maravilhas para os jornais e revistas do mundo inteiro. Mas o que as empresas jornalísticas não estão percebendo é que, com um aparato como o Ipad, o usuário terá nas mãos uma infinidade de aplicativos de todas as partes do mundo. Algo até então acessível somente pela internet. Agora, baixando aplicativos no site da Apple Store, ele poderá escolher entre uma infinidade de jornais, revistas especializadas, jogos, brincadeiras e todo tipo aplicativo para atrair a sua atenção.

Ipad
O Ipad não reinará absoluto nem será salvação da lavoura jornalística

Algumas empresas no Brasil querem desenvolver produtos para esta plataforma aplicando a velha e ultrapassada lógica do toma lá dá cá. Ou seja, você paga e eu disponibilizo o conteúdo para você. Até o fim do século XX era assim que as empresas jornalísticas faziam dinheiro mundo afora. Os jornais eram os guardiões da informação. Além da TV e do rádio, detinham toda e qualquer informação e podiam se dar ao luxo de vendê-la (e caro) para quem quisesse “ficar informado”.

Hoje o Ipad, ou qualquer outro tablet, não vai fazer retornar essa velha lógica. E oferecer conteúdos pagos deve ser avaliado com muita cautela pelas  empresas de comunicação que optarem por isso. Elas devem perguntar: a) só eu tenho a informação que estou querendo vender?; B) meu concorrente faz melhor do que eu ou disponibiliza seu conteúdo gratuitamente?; C) minha plataforma de acesso é imersiva e lúdica ao ponto de que meu usuário se sinta confortável e queira voltar sempre ao meu aplicativo?

A indústria da comunicação está depositando todas as suas fichas neste novo suporte na esperança de ganharem rios de dinheiro como no passado áureo do jornalismo do século XX.
Ainda sem data prevista para chegar ao Brasil, o Ipad já vendeu mais de 9 milhões de cópias no mundo.  Na Europa, as vendas seguem crescendo a todo o vapor. Livros eletrônicos como o novo Kindle, os readers da Toshiba e da empresa Positivo pegam carona na atual onda dos tablets.

Terra de gigantes

NYTimes, BBC, ABC e The Wall Street Journal, gigantes da comunicação mundial já lançaram uma versão de seus produtos para o Ipad. Eles sabem que este mercado de tecnologia é muito veloz e requer ações rápidas. Porém, muitos jornais “ipadianos” são a cópia fiel de sua versão impressa ou sua versão on-line. O guru da usabilidade, Jakob Nielsen, fez uma comparação do USAToday com a loja de roupas GAP mostrando que este novo suporte requer muito mais que uma simples adaptação.

Você está disposto a pagar por isso, se…
Para ter uma ideia, é possível comprar o aplicativo Pages da Apple, programa semelhante ao Word da Microsoft, por US$ 9,95. A calculadora científica HP 12c custa o preço. São milhares de aplicativos tentando atrair sua audiência e ganhar um dinheirinho seu. Os jornais no Ipad serão apenas mais um desses famigerados apps em busca de visibilidade. Sairá na frente quem não focar no lucro e conseguir fazer o leitor se informar e, ao mesmo tempo, ter uma experiência imersiva satisfatória.

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