Um jeito inteligente de fazer jornal


Depois da previsão catastrófica do setor de jornais impressos, que abalou a estrutura de todos os importantes periódicos do mundo, é hora da reviravolta. O produto suportou dois séculos de mudanças sociais, novos concorrentes como a televisão e o rádio e, mais recentemente, a avassaladora internet. Agora, finalmente, ele busca seu caminho, seu norte e um novo modelo.

Vários projetos gráficos foram propostos no início do século XXI, com a chegada definitiva da internet. A ideia era se distanciar do factual raso que esse novo suporte trazia. O que ocorreu é que a internet trouxe um novo jeito de fazer jornalismo, e mais, um novo jeito de consumir conteúdo. Os jornais on-line, no primeiro momento, trabalharam com a metáfora do jornal impresso reproduzindo Ipsis litteris o que se via no papel.

De lá para cá, foram testados diversos modelos para tentar criar uma diretriz para o novo jornal em papel, em vão. Houve aqueles que apostaram no jornal mais analítico e com textos enormes, centenas de linhas de texto e grande profundidade, como o Estadão. Outros apostaram em um conteúdo mais solto, repleto de infográficos e cores, como a Folha de S. Paulo.

O que ninguém havia pensado até então, o Diário de S. Paulo pensou, e muito bem por sinal. O que o jornal Diário de S. Paulo conseguiu foi traduzir a mudança social que estamos enfrentando. Para isso, era fundamental que se pensasse em um jeito diferente de produzir conteúdos. Não podemos negar que nossa sociedade mudou. Ela busca uma mistura entre conteúdos e informação rápida.

O novo jornal britânico é exemplo a ser seguido

A sociedade não é mais pautada por editorias fechadas e cadernos como os velhos jornais insistem em categorizar. A sociedade quer saber o que é relevante, o que realmente faz diferença entre saber ou não. O consumidor não segmenta a leitura por cadernos fechados. É muito conteúdo desperdiçado diariamente. As editorias precisavam se comunicar entre si e levar ao consumidor de informações o fato, sem dividí-lo em editorias.

O que interessa ao leitor de Esportes pode interessar ao leitor do caderno de Veículos, por exemplo. O motor de um novo carro de Fórmula 1 tem relação com a Editoria de Veículos e também de Esportes. Porém, essa divisão é tênue. A linha que divide as editorias nos jornalões, a faixa de Gaza informacional, é também terreno fértil para atrair o leitor. Falar do horário da corrida e o grid de largada, já que estamos falando de F-1, é assunto que a internet dá conta facilmente. Utilizando infográficos, vídeos, fotos, áudios e um batalhão de apelos visuais ela, melhor que niguém, consegue atrair o leitor. Essa avalanche de conteúdo on-line atende bem o leitor que busca apenas informações ligeiras, razas e sem profundidade.

Agora, um conteúdo que fale do cotidiano, da alteração do trânsito em virtude da corrida, as melhorias nos carros, a importância de um país sediar um campeonato como esse, tudo isso é dar ao leitor algo mais, aquilo que realmente interessa. E isso não precisa ser convertido em textos gigantescos. Mesmo assim, muitos jornais insistem em abarrotar o leitor de conteúdo, deliberadamente. Precisamos, urgentemente, de uma dieta textual nos jornais.

Informação abundante é função dos sites noticiosos. E, para piorar, outro figurante entra em cena para tirar, ainda mais, a audiência dos impressos: as redes sociais. Basta dar uma olhada rápida pelo Twitter para se dar conta de tudo o que está acontecendo de importante no mundo, naquele exato momento.

Poucas editorias e só o que interessa de verdade
Poucas editorias e só o que interessa de verdade

Quem saiu na frente no Brasil, com um projeto arrojado que acaba com as editorias fechadas das redações, foi o jornal Diário de S.Paulo. O jornal, formato berliner, é pioneiro no jeito de informar em papel. Busca seu espaço e se mostra como uma opção inteligente no jeito de fazer jornal, exemplo a ser seguido.

Outro exemplo, que vem de fora, é o britânico i (i minúsculo e em itálico mesmo), um braço do The Independent,que faz, a partir de hoje, um jornalismo diferente, inteligente e que tem o leitor como foco, preço acessível, repleto de cores e, o mais importante: informação relevante. (Com Ellen Cristie)

2 comentários sobre “Um jeito inteligente de fazer jornal

  1. Acho o projeto do Diário de S. Paulo muito feliz. Tão feliz que consegue superar o projeto i numa comparação pessoal.

    Não conhecia o interior do Diário e me surpreendi.

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    1. O mais legal, Luís, é que é produção brasileira, made in terras tupiniquins… A divisão do jornal em três grandes temas é fantástica! Pena que é totalmente paulista e que, nós, mineiros, não podemos fazer assinatura…

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