Em busca do tablet perfeito


É impressionante a corrida frenética dos fabricantes no mundo inteiro em busca do tablet perfeito. Fujitsu, LG, Samsung, BlackBerry e tantos outros promovem a chegada de seus tablets com um barulho tremendo. A Apple, líder nesse segmento com 90% do mercado, lançou a segunda versão do aparelho. Mais fino, mais rápido e com câmeras para video-conferência. Tudo isso para se preparar melhor para a avalanche de modelos que chega ao mercado.
O iPad 2 promete repetir o sucesso da primeira versão
O iPad 2 promete repetir o sucesso da primeira versão. No Brasil, o delay será de 6 meses
São novidades que vão confundir a cabeça dos consumidores, assim como acontece hoje com os laptops e celulares. O que se deve levar em conta na hora de adquirir um aparelho desses é, em um primeiro momento, a real necessidade de se ter um. Uma matéria publicada pela Folha de S. Paulo mostra que os tablets estão caindo nas graças das empresas e as vendas corporativas já ultrapassam 60% do volume total. Antes de comprar um tablet, observe se você é usuário em potencial, que vive em trânsito, viajando ou que não tem um laptop de boa qualidade.
Atualmente, a Apple disponibiliza mais de 60 mil aplicativos desenvolvidos exclusivamente para os consumidores do iPad. Para os usuários do Galaxy, da Samsung, aparelho que utiliza sistema operacional Android, resta ainda esperar pela nova versão do sistema operacional. Por enquanto, o Galaxy não proporciona uma boa experiência de navegação.
Os jornais no iPad

Quando o iPad foi lançado, em abril de 2010 nos Estados Unidos, houve uma corrida para o lançamento de aplicativos para aquele suporte. Feito às pressas, os aplicativos sempre travavam e os bugs até hoje ainda são muito constantes.
Porém, o grande embate que acontece em algumas redações mundo afora é a dificuldade em compreender que os tablets devem inaugurar uma nova redação dentro dos jornais.O iPad, assim como os conteúdos jornalísticos na internet, gozam de uma linguagem própria muito peculiar e devem ter um tratamento diferenciado frente ao velho e bom jornal impresso.
A periodicidade nos tablets é a mesma herdada dos jornais impressos que têm dead-line muito rígido, com ciclos de 24 horas. O dead-line, para quem não sabe, é o horário limite para o jornal deixar a redação e começar a ser impresso na gráfica. As publicações em papel, por sua natureza intrínseca, devem dispor de tempo para impressão e distribuição, e nada pode mudar isso. Já um jornal no tablet não sofre desse problema.
As redações on-line infelizmente alinham seus dead-lines ao fluxo da redação do impresso. Para os jornais fugirem da lógica da notícia empacotada, eles devem trabalhar edições com assuntos que não são tratados de forma abrangente, nem pelo jornal impresso nem pela internet – uma espécie de híbrido, capaz de aprofundar-se em problemas pautados pelo cotidiano de notícias, como guerras, comportamento e show bizz sem atrelar, necessariamente, à agenda setting imposta pelos outros veículos.
As novas gerações que chegam ao mercado consumidor são consumidores de telas. Eles estão acostumados com a atualização constante dos noticiários on-line e recorrem à internet quando querem saber sobre, por exemplo, o resultado do jogo de futebol, o andamento de uma guerra ou coisa parecida. Um aplicativo para iPad pode gozar de um tempo diferente entre uma publicação e outra e não ficar atrelado ao ciclo vital de 24 horas.
The Daily. Uma nova linguagem no velho jeito de compreender o tempo
The Daily. Uma nova linguagem no velho jeito de compreender o tempo
O The Daily, jornal desenvolvido por Rupert Murdoch exclusivamente para o iPad, tem uma linha editorial interessante, porém, sua edição sempre rechunchuda dura apenas 24 horas e não pode ser recuperada. Zigmunt Bauman, em um de seus livros “líquidos”, fala da facilidade, hoje em dia, de recuperarmos a informação, mas parece que Murdoch não está interessado nisso, ou então não encontrou uma fórmula para a venda de anúncios que não esteja atrelada ao rígido e perecível dead-line do jornal diário.
As redações insistem em dar ao aplicativo para tablet o mesmo caráter de sua versão impressa. Alguns jornais fazem inclusive questão de deixar bem claro de que se trata de um produto (cópia) do modelo impresso.  O jornal no iPad não precisa se chamar Jornal no iPad, isso porque o produto não deveria, necessariamente, estar atrelado à sua versão analógica.
Na nova plataforma, o formato não importa mais, a hierarquia de matérias, a preocupação com a dobra do jornal (para dar visibilidade na banca de revistas), a largura das colunas, a sequência de páginas. Tudo isso, – detalhes primordiais na versão impressa – , simplesmente não tem nenhum valor nesse novo formato.
Portanto, o que as empresas jornalísticas deveriam observar não é o formato, que muda constantemente nessa nova plataforma. Devem-se preocupar muito mais com o público ao qual ele se dirige e oferecer algo que uma rápida busca pelo Google não pode lhe dar. O foco é o cliente e sempre será assim.

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