A nova (nem tão nova) tendência mobile


Quando morei na Espanha para fazer um mestrado, em 2010, uma das minhas atividades preferidas era observar o comportamento dos leitores de jornais, revistas e, dentro do possível, o consumo de novos dispositivos, como tablets e smartphones. Alguns jornais impressos circulavam pelo subterrâneo como o “20 minutos” e “Metro”, além de tabloides mais tradicionais, como La Vanguardia, Destak, El Periódico e vários outros. Na época, observei que era grande o número de leitores de jornais durante as viagens em Barcelona. Havia, inclusive, o hábito de ler o jornal e deixá-lo no banco para um próximo leitor que embarcaria.

Voltei à Barcelona no final de 2014 e tentei fazer o mesmo trabalho de observação. Claro que o período em que fiquei na cidade – uma semana – não pode ser comparado aos meses do mestrado para uma observação mais criteriosa, mas o que chamou minha atenção foi a escassez de leitores de jornais impressos e o absurdo crescimento do consumo em telas, principalmente dos smartphones. Sempre que podia, sem perder a discrição, tentava olhar que tipo de produto estava sendo consumido. Facebook e Candy Crush foram os recordistas. Os leitores de jornal impresso, quando os via no metrô, não passavam de dois ou três e sempre, ou coincidentemente, eram pessoas mais velhas.

Os tradicionais ônibus de dois andares de Londres foram vistos com uma imensa propaganda do Candy Crush
Os tradicionais ônibus de dois andares de Londres foram vistos com uma imensa propaganda do Candy Crush

Além da propaganda que envelopou dezenas de ônibus em Londres, o lançamento do Candy Crush Soda podia ser visto em outdoors, pontos de ônibus e dezenas de outras mídias Out of Home. Marcas tradicionais estão dando lugar às novas empresas do século 21, que geram a nova economia de consumo e ganham adeptos em escalas exponenciais. Outro fator que me chamou atenção na viagem foi o grande volume de redes wifi espalhadas em pontos como cafés, bares e restaurantes. É quase impossível encontrar um estabelecimento que não tenha um login e senha para oferecer. O wifi para o turista e tão importante que tomar um café ou lanchar, muitas vezes, vira pretexto para conseguir um sinal de internet. Precisando uma vez de sinal para atualizar meu mapa em Firenze, na Itália, entrei em um estabelecimento que vendia queijos e vinhos e pedi ajuda. O senhor, muito simpático, prontamente me entregou um pedaço de papel com a senha do wifi. Não aparentou preocupação alguma em fazer isso. Em 5 minutos atualizei meu mapa e resolvi o problema. Comprei um copo de vinho como agradecimento e segui caminho.

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