Atomização da audiência no mundo das narrativas transmídia


Imagem
Scolari ministrou aula magna no Uni-BH e mostrou o novo cenário da comunicação no mundo

Na semana passada Belo Horizonte foi palco de intensas discussões sobre transmídia. O professor Carlos Alberto Scolari, da Universitat Pompeu Fabra de Barcelona, na Espanha, esteve na capital durante um curso organizado pela UFMG e também no Teatro Ney Soares onde ministrou Aula Magna em comemoração aos 40 anos do curso de comunicação do Uni-BH. Na sala, quatro dias inteiros de relatos, vídeos e muita reflexão sobre Transmedia Storytelling. Alunos de jornalismo e professores da Federal e do Uni-BH trocaram experiências e ideias e esclareceram dúvidas sobre a relação de consumo de mídia no século 21.

O mais interessante de toda a conversa que tivemos, nós, professores, foi a frustrada tentativa de encontrar senão o consenso quando o o assunto é o futuro da comunicação. Quando falamos de futuro é fundamental definirmos a qual tempo nos referimos. Futuro é infinito, pode levar ao amanhã da próxima semana ou à nova década, século ou milênio. O futuro dos jornais – tema amplamente debatido, principalmente no início do século 21 – volta à tona com nova roupagem, relacionada não mais à extinção do papel jornal, mas, sim, de como o conteúdo jornalístico vai se posicionar diante das mudanças brutais proporcionadas pelas novas tecnologias de consumo de mídia.

Tablets, celulares, consoles de videojogos e tevês. Tudo irá se comunicar e alimentar nossa carência informacional contínua. Dias deixaram de ser períodos e se converterão, cada vez mais, em espaços liquidos, fluidos e instáveis. O fim do centro de distribuição, o início da audiência participativa, do proconsumidor. Todos poderão falar sobre qualquer assunto. O especialista perde a vez. Nós, pobres mortais, ajudamos a construir marcas e produtos.

Narrativas transmídia fazem parte de um novo mundo, que dialoga intimamente com a geração Y e as próximas que virão. São histórias bem contadas, diálogos inteligentes, autogerados, que criam e recriam o imaginário com seus labirintos imagéticos textuais e tácteis. A narrativa do século 21, em que nós, jornalistas, tentamos nos posicionar, é repleto de novas nomenclaturas, abismos e interrogações. O ato de informar deixa de ser oxigênio e se transforma em perfume. Atraindo audiência, você terá acessos e assim poderá gerar lucro. Quem lê seu texto agora é um senhor colorido de nome Google.

Temos que ampliar nossa capacidade de contar boas histórias, narrar em canais diversos, físicos, móveis, sensíveis ao toque. Não importa. O que se sabe, e Scolari deixou isso muito claro aqui em BH, é que o jeito de contar histórias se alterou. Não existe mais a linearidade que imperou por séculos. A narrativa transmidia é mais que um discurso bonito para explicar fenômenos. As narrativas do novo século requerem relação com quem lê, porque aquele que lê, agora compartilha, comenta, fomenta e espalha. Aquele que lê, agora contesta, rebate e também participa da história.

Narrativas sempre existiram e nunca deixarão de surgir. Tecnologias são meios, facilitadores de caminhos para fazer sentido ao que lemos e assistimos. Narrar a marca, o produto, a notícia requer engajamento, participação e ampliação do meio líquido e espesso onde trafegamos agora. Transmídia, termo polifônico que se propagou por Belo Horizonte durante uma semana, semeou também a certeza de que estamos no caminho certo. Estamos pensando e isso já basta. Queremos, além de respostas, experimentações. Saímos do mundo cartesiano e linear da produção industrial e vivemos agora um mundo em beta, que não tem medo de errar.

O fim, agora, não justifica os meios!

Comente

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s