A utopia do fim do Uber


Taxistas protestam no Rio de Janeiro contra o Uber
Taxistas protestam no Rio de Janeiro contra o Uber. Foto Tania Rego/Fotos públicas

“Motoboys fazem passeata contra aplicativo de entrega compartilhada de pequenos documentos.” “Donos de salões de beleza vão à Câmara Municipal pedir a proibição do aplicativo que conecta manicures, pedicures e cabelereiros delivery.” Essas e tantas outras possibilidades já estão batendo à porta na nova economia social. Enquanto isso, taxistas revoltados com a chegada do Uber tentam, de todas as formas, frear o aplicativo. Não será o software que terminará com o novo modelo de negócios trabalhado hoje não só pelo Uber, mas por milhares de empresas mundo afora.

Lançado nos Estados Unidos, o aplicativo de “chofer particular” vem ganhando fãs e gerando polêmica por onde passa. Uma das modalidades do Uber foi proibida na Alemanha e muitos protestos obrigaram a empresa a rever algumas condutas. No Brasil, com início tímido, o aplicativo não chegava a tirar o sono dos taxistas. Mas agora, com a adesão em massa de consumidores, a coisa mudou. Cansados do atendimento ruim proporcionado por uma parcela de taxistas da cidade, o aplicativo vem ganhando adeptos de modo exponencial.

É impressionante como os taxistas e seu sindicato estão muito mais ligados à manutenção de modelos tradicionais que à busca pela melhoria dos serviços prestados. Quem nunca pegou um táxi em Belo Horizonte e foi presenteado com a transmissão em alto e bom som de um partida de futebol pela Itatiaia? Nada contra, mas ficamos um pouco tímidos na hora de pedir para desligar o som. Claro que existem muitos carros bons, motoristas educados, cordeais e fazem seu trabalho com respeito ao consumidor. Porém, existem aqueles que catimbam e andam vagarosamente até o sinal fechar. Para eles, quanto mais tempo dentro do táxi, melhor.

Quem já pegou táxi no Rio de Janeiro sabe da dificuldade que é (principalmente para o turista amedrontado) saber qual a melhor rota. Deixamos isso a cargo do taxista, que, alegando segurança, faz caminhos que levam mais tempo e mais dinheiro do bolso do consumidor.

O Uber não trabalha com livre concorrência como os taxistas. Só tem acesso ao serviço quem baixa o aplicativo e tem um cartão de crédito válido. Um motorista educado leva você com segurança e objetividade ao destino. Você tem às mãos a rota que será traçada por ele. Tem, além disso, conforto e escolha da trilha sonora – quase sempre clássica -, climatização e a qualidade indiscutível do serviço. A representante da empresa, Andrea Leal, esteve em audiência pública na Câmara Municipal de Belo Horizonte e foi vaiada por taxistas e viraram as costas ao que ela tinha a dizer.

O táxi não vai acabar. A frota do Uber é infinitamente inferior ao número de taxistas credenciados na cidade. O que deveria acabar é a utopia de se pensar que os “feudos” dos séculos passados resistirão à tecnologia móvel. Existem hoje milhares de aplicativos que buscam facilitar a vida das pessoas. Inclusive aplicativos de táxi. Esse é um novo modelo de negócios.

A nova economia social dará seu jeito para tornar possível, mesmo com a proibição que alguns vereadores propõem, a perpetuação do modelo de negócios centrado no usuário. Este é o principal beneficiado. Vamos deixar de lado a demagogia. Sabemos que centenas de taxistas são explorados porque não têm placa própria  e pagam a concessão e uso do veículo para seus chefes.

Fidelizar para não perder

Imaginem um futuro no qual a produção e manutenção de aeronaves fosse muito acessível. Imaginemos um avião de 10 lugares custando R$ 200 mil. Agora, imaginem um aplicativo que disponibiliza assentos nessas aeronaves, que voam espalhadas pelo Brasil. Tenho certeza que não iríamos ver a Gol, Avianca, Azul, Tam e todas as outras empresas protestando contra o aplicativo. Seria impossível acabar com a venda dessas cadeiras vagas e também é impossível acabar com demanda por voos domésticos. Em lugar disso, as empresas aéreas teriam seu foco voltado à segurança dos voos, pontualidade, qualidade de atendimento e, mais importante, ao preço.

Quem tem um bom taxista na agenda do celular não deixará de solicitá-lo. Mas quem tem uma experiência negativa ao ser transportado por um táxi com certeza ficará surpreso ao chamar um motorista do Uber. Já tem taxista trocando de roupa e oferecendo mimos aos passageiros. Não parece óbvio? Se abriu uma pizzaria nova na cidade, vou melhorar a minha receita, e não tentar fechar a concorrência. Concordam?

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