O novo jornalismo de revista


Nesta  semana, a Abril, maior editora da América Latina, anunciou o fechamento de três publicações. Além da Playboy, Men’s Health e Women’s Health.  Já tratei do assunto diante do primeiro anúncio, há dois anos. Perdeu, Playboy.

O pesquisador Carlos Scolari do blog Hipermediaciones abordou sobre o futuro das revistas no post “Tienen futuro las revistas impresas?” Na época, uma das publicações destacas por ele foi o Orsai, um projeto transmídia de Hernán Casciari. Desde muito tempo, já se falava sobre a necessidade de mudança do modelo de negócios das revistas. Depois do tsunami que abarcou os jornais impressos, a próxima onda vai atingir em cheio as revistas. Ou pelo menos aquelas que mantêm, tradicionalmente, seu modelo de venda em banca e assinatura com textos generalistas, além da participação tímida (passiva) nas redes sociais.

Recentemente fiz a assinatura do Clube W, da Wine.com.br. Um site originalmente e-commerce que resolveu ampliar seu negócio no mundo digital. Hoje o Clube W tem mais de 100 mil afiliados. Além da entrega dos vinhos, a Wine envia uma revista impressa aos assinantes. De excelente qualidade, a edição de outubro, com 66 páginas, trata dos assuntos relacionados ao mundo do vinho. O que impressiona na qualidade, tanto do site quanto da revista é a capacidade de interação, criar uma atmosfera muito própria sobre seus assuntos e girar a cultura de seu nicho de mercado.

Canguru dá um salto de qualidade

Outro caso, nascido em Belo Horizonte (MG), é a revista Canguru. Publicação criada pela competente jornalista  Ivana Moreira. A Canguru está na terceira edição e amplia seu escopo de trabalho para além das páginas impressas. A equipe formada por jornalistas, blogueiros e social media fazem um trânsito muito inteligente e de grande engajamento. Além de uma distribuição segmentada em escolas, a Canguru tem um guia de serviços, parceria com blogs como “Na Pracinha” e “Padecendo no Paraíso”, realiza palestras, faz sorteios, eventos, tem canal de TV, podcasts e, claro, informação de qualidade. Ontem em palestra no Uni-BH para a disciplina que leciono juntamente com o professor Marcílio Lana, Ivana foi enfática em afirmar: “existem dois tipos de jornalismo: o bem feito e o mal feito”.

Mais do que isso. Existe o jornalismo que vai sobreviver e o que vai minguar dependente sempre de acordos políticos ou camaradagens. Os novos modelos de jornalismo fazem mais pelos anunciantes e parceiros.

O Roi (return of investiment) não é medido apenas pelo volume de vendas em uma determinada companha. Estamos falando da aproximação real entre marcas e clientes dentro de um ambiente de mídia honesto que entrega ao consumidor aquilo que ele quer. Sem esforço publicitário para vender sonhos e ideias, produtos como a Wine e Canguru vendem parcerias e geram negócios a longo prazo.

Canguru da um salto não apenas de qualidade editorial, mas mostra que é possível conquistar mercado em um momento de crise global e setorial.

Ivana Moreira falou sobre carreira e mostrou aos alunos o real sentido da profissão: informar com qualidade
Ivana Moreira mostrou aos alunos o real sentido da profissão: informar com qualidade

 

Os jornais impressos (em sua grande maioria) simulam uma interação ou aproximação com seus leitores. As redes sociais que serviriam para isso, invocam participação da audiência como que seguindo uma cartilha pré-definida. Ações efetivas e aproximação com o público são cada vez mais raras. Não há engajamento! É incrível como as empresas de comunicação (nascidas no século passado) continuam alicerçadas em um modelo unilateral de comunicação. Hoje, a audiência quer participar efetivamente da conversa e interagir, não por meio do SAC ou enviando cartas. Ela quere expor seus pontos de vista, críticas e elogios. É comum comentários “abandonados” nas redes sociais como se a opinião das pessoas fosse algo acessório na comunicação digital.

5 comentários sobre “O novo jornalismo de revista

  1. Muito interessante, Alysson. Eu sou estudante de jornalismo e tenho percebido um mercado cada vez mais digitalizado e sem espaço para o impresso, não que isso seja ruim, mas acaba nos dando uma impressão de certa limitação dentro da área. Agradeço a abordagem do tema, além de me informar ainda mais sobre o assunto, me deu uma nova ideia acerca dele. Muito bem escrito, parabéns!!

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